literacia mediática

Literacia mediática: melhor conhecimento, melhores escolhas?

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É essencial a uma sociedade saudável ter cidadãos que saibam interpretar o que veem, leem e ouvem. Mas também a saber produzir conteúdos, já que, agora, todos podem ser produtores de media.
O Nativos Digitais ouviu diferentes especialistas e responsáveis, para entender o estado da literacia para os media em Portugal. A principal conclusão é que ainda há um longo caminho a percorrer.

Educação para os media no NATIVOS DIGITAIS

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Fomentar a competência da literacia mediática é uma obrigação do ensino? Como a promover? Porque é importante saber distinguir a informação de publicidade? A educação para os media é formar a capacidade crítica e autónoma para lidar com as mensagens mediáticas, resume Manuel Pinto, investigador da Universidade do Minho. Sabemos consumir e ser media?informa e chama a atenção para alguns aspetos desta problemática.

Recursos úteis sobre literacia mediática

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Media literacy is the ability to access, analyze, evaluate, and create media. Media literate youth and adults are better able to understand the complex messages we receive from television, radio, Internet, newspapers, magazines, books, billboards, video games, music, and all other forms of media. Media literacy skills are included in the educational standards of every state—in language arts, social studies, health, science, and other subjects.  Many educators have discovered that media literacy is an effective and engaging way to apply critical thinking skills to a wide range of issues.

[MEDIA LITERACY PROJECT]

Porque importa insistir na literacia mediática?

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media+literacy+wordle

Diariamente somos bombardeados por informação, muitas vezes por verdadeiro lixo tóxico que em nada contribuiu para o nosso conhecimento. E isso ocupa espaço e rouba-nos o tempo que deveria estar a ser usado em situações mais úteis. Tudo isto vem a propósito do artigo, escrito pela jornalista freelance Lindsay Beyerstein, no Columbia Journalism Review, intitulado Can news literacy grow up?

E a jornalista começa por contar o choque de Howard Schneider quando preparava um programa de um curso de jornalismo por verificar que a maioria dos alunos de jornalismo não fazia qualquer distinção do tipo de informação que lia ou ouvia em todo o lado e resistiam à leitura de informação que colocasse em confronto perspetivas diferentes. Preferiam, claro está, a papinha toda feita.

Quase uma década depois, o cenário tornou-se bem mais catastrófico do ponto de vista do volume de conteúdos produzido e disseminado pelas redes sociais. A dificuldade em selecionar e filtrar a informação, mas acima de tudo, em a saber usar de modo crítico, são lacunas difíceis de contornar quando se instalam rotinas de usar logo a primeira informação que aparece pela frente.

Foi por isso que em 2005, Schneider  se convenceu que « a modern journalism school could no longer teach only journalism; it needed to reinvent itself as the purveyor of a core competency for the entire student body: the ability to be savvy and critical consumers of news and information». A rapidez com que tudo se processa nos meios de comunicação fazem com que Lindsay afirme: Meanwhile, the need for news literacy has only grown.

No artigo destaque-se ainda os seguintes parágrafos:

«Where the movement once worried about blogs, left-right bias, and how to decode the front page of a newspaper, it now confronts a booming content-marketing business that is cranking out native advertising, all manner of “sponsored content,” and glossy magazines and slick docu-ads produced by corporations that look and sound a lot like journalism».

«“Contributor networks,” in which “experts” and others self-publish for little or no money and without even a cursory edit, are sprouting like barnacles on the hulls of legacy news brands. Hoaxes and plagiarism are disturbingly common, factchecking has been turned over to the digital mob, and Facebook is considered a major news source».

Por isto e pela dificuldade que a maioria da população tem em distinguir o trigo do joio, a inclusão da educação para os media e da competência de literacia mediática é uma prioridade de todos.

Voltando ao artigo: News literacy’s mission—to help give people the critical-thinking skills necessary to discern what is trustworthy in this churning informational stew—is crucial.

O grande problema continua a ser porém a verificação desta competência. Porque «In theory, critical-thinking skills are teachable, but in practice they are difficult to define and measure».

Carta a um estudante de comunicação

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comunicação

Jovem, lamento informar mas vais ter uma vida profissional difícil.E quanto mais cedo encarares a realidade, melhor.

É com esta frase que Diogo Madeira da Silva inicia uma carta a um estudante de comunicação, publicada na Revista Meios & Publicidade que tem todo o interesse em ler com atenção, até porque ver escrito acentua a necessidade de se pensar bem primeiro na opção, ao mesmo tempo que serve de alerta para a urgência de uma competência: a literacia mediática.

Vais perceber que há diferenças entre as relações públicas das festas ou discotecas e a Comunicação Empresarial. Que Comunicação e Marketing são coisas diferentes, ainda que várias empresas chamem Marketing a Departamentos que apenas fazem Comunicação (ou nem isso). Vais perceber que nem todos os trabalhos passam por fazer campanhas inspiradoras ou gerir patrocínios a eventos de alto perfil e que nem todas as empresas são a EDP, a Vodafone ou a Red Bull.

A tua carreira pode seguir vários rumos, mas o princípio será duro. Até pode ser fácil arranjar um primeiro estágio, com sorte remunerado. Se estiveres apto para um estágio do IEFP será mais fácil ainda (tal como se tiveres amigos ou família que ajudem a desbloquear contactos). Podem-se seguir outros estágios, até, com sorte, começares a saltar de contrato em contrato. Vais perceber que há empresas que alimentam as áreas de Comunicação à base de estagiários. Vão-te pedir, exigir até, que sejas um super-homem. Que escrevas bem, sejas criativo, domines várias línguas para fazer traduções, sejas bom a gerir clientes, tenhas conhecimentos de design, web design, redes sociais, bases de dados, HTML, CSS, PHP, SEO, e por aí fora… Que sejas quatro funções numa só, uma espécie de tudo-em-um-pelo-preço-de-meio.

Gosto particularmente de:

Podes chegar a pensar que se vendesses electrodomésticos num centro comercial ganhavas o mesmo, sem metade do stress. 

Vais também reparar que há muita gente convencida que percebe muito do teu trabalho, mesmo que a sua função não tenha nada a ver com o tema. Também pode acontecer que desvalorizem o que fazes porque, no seu entender, não decides nada de importante para o negócio.

Entre as tuas armas estará a tua capacidade de juntar a competência técnica ao conhecimento do sector da tua empresa ou dos teus clientes. Consumirás informação diariamente – e se não gostas de o fazer muda de área, já – porque a cultura e o conhecimento não se disfarçam com jogo de cintura ou jeito para falar.

(…)

Não estou a dizer que não é uma área interessante. Mas o ajuste das expectativas à realidade é o primeiro passo para ter sucesso no mundo do trabalho. No entanto e como disse Daniel Webster: “se me tirassem tudo excepto uma coisa, escolheria manter o poder de comunicar, porque com ele cedo recuperaria tudo o resto”.