Evento

A propósito de Olho Nu, versão de 2009

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ney matogrosso 

O camaleão

Foi a apresentação do documentário «Olho Nu», realizado por Joel Pizzini, um work in progress ainda por finalizar, que fez emergir um vulcão, no último dia do Festival de Cinema Luso-Brasileiro (em 2009). Até ele estava mais solto, depois de dias a desviar o olhar e a esconder as mãos nos bolsos, enterrado no mesmo gorro, amigo protector dos dias frios de Dezembro, em Santa Maria da Feira. O filme-canção resulta de um projecto de um documentário para a televisão a partir do arquivo pessoal com documentos e gravações guardados pelo cantor ao longo de quatro décadas.

Em «Olho Nu» vemos imagens da preparação do espectáculo «Inclassificáveis», uma digressão que o trouxe a Portugal, em 2008. Pizzini procurou dar voz à «linguagem musico-corporal», até porque em palco «ele cresce de tamanho, torna-se imenso». Isto apesar de na tela ouvirmos a mãe a dizer como ele era pequenininho «1,5 kg e tinha 50 centímetros», nascido com oito meses de gestação. Seria urgência em existir? Vemos o dueto com Chico Buarque, recorda-se a amizade com Caetano Veloso num dia na praia. Apesar da fama de libertário, até é certinho. Pizzini acha mesmo que ele apenas deu uma entrevista na vida. Tudo o resto é repetição. Neste filme documentário Matogrosso lembra o pai, chocado e assustado, quando o viu pela primeira vez na televisão. «Ficou ele e todos os pais do país», brinca o cantor. E ficamos a saber que aos 21 anos era um rapaz ingénuo que acordou para o mundo quando trabalhou no hospital militar de Brasília. Aí entrou em contacto com a morte e se tornou «humano». Na figura ousada, há um tabu: não fala dos amores. Resguarda-se.

O ritual

Ao longo da exibição do filme há um vaivém de quadris. As frases do próprio Ney Matogrosso revelam os medos e inseguranças. Nada faz de improviso. «Tudo é ensaio», confirma. Na verdade, em «Olho Nu» vemos repetidamente a metamorfose. O homem de calças de ganga, t-shirt e sapatilhas passa a imperador Inca e exibe o corpo esguio, num fato transparente tatuado com motivos dos índios Xingu. Há a pose de provocador e o olhar penetrante para o público. Esvoaçam penas, plumas e brilham lantejoulas. Parece avestruz, leão, sereia. Há uma sucessão de rituais: várias vezes o vemos a pintar os olhos de negro, aqueles que um dia alguém apelidou de «atormentados», para depois o vermos com o mesmo gesto na hora de limpar, um regresso à normalidade. «Sou atormentado?», pergunta. «Não, sou esquizofrénico». Até porque o animal de palco é uma invenção. Mas quando se olha ao espelho «é outra pessoa», ou melhor «reflecte várias», uma «manifestação artística» que no «fim do espectáculo acabou». Em que é que ficamos?

«Adoro ser subversivo em todos os momentos e governos. Eu só sei ser subversivo» e não tem ilusões com governantes ou nunca sentiu nenhuma atracção pelo poder.

Com fama de descarado atira: «não tenho corpo bonito. Mas uso como se fosse». Não gosta do exibicionismo na rua. A intimidade deve ficar circunscrita aos lugares certos. Na tela vemos os pés. Há pedaços de corpo, o artista em apoteose em cima do palco e as mãos elevam-no ao céu. Não se deixa cegar pelos holofotes. Ao vivo e a cores, o olhar desce. Na tela, mais uma pose. Desce do palco. Circula descalço junto de uma plateia em êxtase. Ali ao meu lado, tem o olhar concentrado, nem pestenaja, e as mãos enlaçadas. Volto ao ecrã e ouve-se mais uma recordação: como «falava fininho», durante muito tempo pensou que «era defeito». Em relação à Sida, teve sorte. E não se espantaria que descobrissem realmente que foi uma invenção de laboratório. «O ser humano é capaz de tudo». Mais de metade dos amigos foram embora. «Eu fiquei».

No fundo, quer ser normal. Por isso estranha quando o interpelam e lhe perguntam como é que toma banho no final de um espectáculo. «Nu. Simplesmente». E como é que queriam que fosse?

 Andreia Fernandes Silva. dez 2009

PS:. A 8 de Dezembro, Olho Nu, versão final encerra o festival Luso Brasileiro de 2013.

 

Quais as «tendências» do marketing inovador?

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LUIS RASQUILHA

Luís Rasquilha, profissional de comunicação cada vez mais concentrado nos pormenores e nas tendências do consumo é o orador da 9ª edição ISVOUGA MARKETING SESSIONS, a 12 de abril, em Santa Maria da Feira para falar do futuro do marketing. Inscrições já decorrem AQUI.

cartaz 9 MKT SESSION

«Cada vez mais estamos conectados e acessíveis 24/7/365 e, por isso, nota-se a presença dos “Nómadas Urbanos”, aqueles que trabalham onde quer que estejam e não precisam mais de um escritório fixo (apenas um computador ou um telemóvel inteligente com ligações web, e-mails e internet browsers)».

«O futuro é de reinvenção permanente, de procura de confiança e de recurso a padrões de transparência e sustentabilidade efectivas. E principalmente de partilha de poder com os clientes na construção de uma solução que esteja de acordo com os seus desejos e não com as convicções da empresa. O marketing diluir-se-á na estrutura empresarial dando origem a subdivisões mais especializadas e mais interactivas. O marketing tradicional morreu e o novo marketing, mais humano e partilhado, mais matricial e interactivo, mais inovador e eficaz, mais free e mais criativo, mas também mais individualizado e tribal ganha espaço».

Diz Luís Rasquilha em TENDÊNCIAS, uma entrevista de 2010 disponível no blogue Marketing, Comunicação e Consumo.

 

E tu, concordas?

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A Rosto Solidário numa iniciativa em conjunto com o ISVOUGA, Instituto Superior de Entre Douro e Vouga, organiza esta quinta feira, 6 de dez, das 17h30 às 19h, uma tertúlia à volta da temática de género.
A tertúlia contará com a presença de Susana Constante Pereira e do Filipe Martins, ambos da Inducar e de Elisabete Monteiro, técnica da Rosto Solidário, e recém-chegada de Angola, onde esteve um mês a filmar o documentário “Mamãs do Papelão”, no âmbito do projeto “É de Género?”. A entrada gratuita com inscrições em sac@isvouga.pt.

QSP Summit 2012: os receios do «online turn»

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«The new wave of marketing» - QSP Summit 2012 - 8 de Março Exponor, Matosinhos

Outro dos nomes em destaque na QSP Summit de 2012 foi Annet Aris, professora adjunta em Estratégia no INSEAD, responsável pelo curso de MBA “Managing Media Companies” e convidada na Rotterdam School of Management, onde lecciona “The future of advertising”.

Annet Aris, uma das principais oradoras da QSP Summit 2012

 

«Menos é mais: marketing num mundo digital» foi o tema da apresentação onde esta especialista em Media defende que «os meios digitais estão a mudar o panorama dos meios de comunicação a uma velocidade sem precedentes». No entender de Aris no mundo digital, o marketing vai necessitar de mudar as suas abordagens, tornar-se mais segmentado, quantificável e interactivo. Durante a apresentação na Exponor salientou a passagem do marketing tradicional para o social marketing: smart push para o create pull; marketer is performer para marketer is director; one way para interactive e, campaign driven para ongoing.

Uma das principais barreiras assinaladas por esta professora em Estratégia para a resistência ao online é a questão das métricas, medição dos resultados, os recursos humanos, a aceitação da administração e o  brand risk.

Entre as mutações em curso Aris destacou entre outros: 

  • A adopção da tecnologia e a rápida implantação da banda larga de alta velocidade e das plataformas de televisão digital
  • o crescimento exponencial do social e mobile media ( o que assinala mudanças significativas no comportamento do consumidor)
  • Em simultâneo, a disponibilidade para pagar conteúdos está a decrescer rapidamente
  • as empresas de meios de comunicação desesperam por encontrar formas de aumentar as receitas em publicidade, uma vez que o aparecimento de novos players digitais lhes está a retirar uma parte significativa das receitas de publicidade, para além de possibilitarem uma maior interacção com o consumidor

 Por outro lado, os diferentes agentes estão a ter dificuldade em concertar estratégias e abordagens. Aris sublinha por um lado:

  • o atraso da entrada na onda digital por parte das agências de publicidade
  • a falta de competências digitais
  • os mais ousados estão a transferir grande parte do seu orçamento para o mundo digital
  • Risco para a eficácia do marketing (excesso, bombardeamento)

Outras mensagens deixadas por esta especialista em media:

◦  O mundo digital permitirá aos marketeers alcançar e interagir com os clientes em qualquer lugar e a qualquer momento.

◦  os grandes marketeers terão de transferir uma parte significativa do seu orçamento de marketing para o digital.

◦ O marketing corre um sério risco de declínio porque os seus clientes serão inundados de mensagens de marketing.

◦ É necessário reformular o ambiente do marketing digital para assegurar os seus potenciais benefícios na publicidade, nas empresas de meios de comunicação nos consumidores que já se encontram satisfeitos.

Annet  Aris é também membro da Direcção do Grupo Sanoma, em Helsínquia, uma revista líder na Europa e editora educacional, ocupando o cargo de Vice-Presidente da Delegação de Recursos Humanos. Também é Membro da Direcção da V-Ventures (Amesterdão), um fundo de investimento de meios, proprietária da ANP (serviço de notícias Holandês); da Tomorrow-Focus AG (Munique), empresa proprietária da Holidaycheck.de, Elitepartner.de e Focus.de; da Jungheinrich AG (Hamburgo), uma empresa fabricante de equipamentos de manuseamento; e da ASR Nederland N.V. (Utreque), uma companhia de seguros Holandesa. Além disso, também é Membro do Conselho da Fundação “Beeld & Geluid”, da Fundação Volkskrant e preside o International Advisory Board da Universidade de Maastricht Faculty of Business and Economics. Juntamente com Jacques Bughin, escreveu o livro “Managing Media Companies, Harnessing Creative Value”, editado pela Wiley’s em 2009.

Uma síntese da comunicação de Hermawan Kartajaya e uma entrevista a Gian Fulgoni  ao Dinheiro Vivo estão disponíveis no blogue Isvouga Marketing Sessions.

«… see the bright side of crisis» diz Kartajaya

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Um dos 50 gurus do Marketing, co-autor do livro Marketing 3.0, defende uma nova postura na forma como se fazem negócios na actualidade. Para Hermawan Kartajaya, uma crise é perigosa mas também uma oportunidade para se fazer diferente. A sua comunicação no âmbito da 6ª QSP Summit, na Exponor, no dia 8 de Março de 2012, destacou a ideia de que o consumidor deixou de ser estúpido. Mais conhecimento, diálogo, acesso e partilha de informação fazem com que que as marcas tenham de assumir uma postura mais integra, com respeito pelos mercados até porque, no entender deste especialista: «character is more important than brand».

Um resumo da intervenção está disponível no blogue ISVOUGA MARKETING SESSIONS (The new wave of marketing).

Uma outra comunicação de Hermawan Kartajaya, onde encontram algumas das principais ideias deste especialista em Marketing, pode ser acedida AQUI.

Ver também artigo de Catarina Madeira no Económico – “Netizens”: a comunidade que vai mudar o marketing.

Efeito Steve Jobs e o ipad2

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Ira Kalb explica: How Steve Jobs Turned the iPad 2 “Cover” into a Hot Item. No artigo, que inclui o vídeo de apresentação, explica-se a estratégia de comunicação:

This focus on the Smart Cover employs what I call the Elephant’s Trunk communications strategy (ET) since an elephant’s most unique and useful feature it its trunk. Using the ET strategy, marketers emphasizes a unique selling benefit of the product that will attract the most attention rather than dilute the marketing communication with features that competitors, and previous models, could also claim. The iPad is thinner, faster, and lighter than the previous version. As you have probably heard, it has cameras front and back and a built-in GPS. Based on Apple’s successful track record, this is expected and deemed evolutionary rather than revolutionary by expert reviewers. What is not expected is such an elegantly-designed cover that has important functional benefits such as…

Email marketing e a lei

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A 26 de Maio decorre no Tagus Park, em Oeiras, um seminário intitulado «Subir o ROI do email sem violar a lei?»
O evento é gratuito mas obriga a inscrição prévia.
O que representa o email para o Web Marketing? é o ponto de partida, às 14h. Os temas seguintes são: As implicações legais do Email Marketing; Permission Marketing: Bases de Dados de Aluguer; A taxa de entregas e o SPAM Score, para terminar com um Caso de Estudo Empresarial.

«As consciências elevam-se e finalmente o mercado percebe que uma estratégia de email marketing é muito mais que uma base de dados e o MS Outlook. Por essa razão impõe-se um evento que cruze as questões legais, com as questões de marketing e usabilidade».