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Espoleta ou despoleta?

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Porque usamos despoletar quando a palavra que devíamos usar é espoletar?

Vamos ao Ciberdúvidas esclarecer:

O verbo despoletar é formado do prefixo des- + espoletar, que significa pôr a espoleta em.

espoleta é um dispositivo que produz a detonação de cargas explosivas, como por exemplo uma granada, e também de projécteis; a espoleta é, também, um detonador.

Se tirarmos a espoleta a uma granada, quer dizer, se a despoletarmos, ela fica inactiva. Despoletar significa precisamente o contrário daquilo que pretendem significar as pessoas que empregam este verbo. E quem tem muita culpa disto é a RDP, a TV e os outros meios de comunicação, que, neste caso, nem sequer consultam o dicionário, porque não se interessam pela Língua Portuguesa.

Em suma:

Espoletar é “pôr a espoleta em” (detonar) e despoletar é “tirar a espoleta a” (tornar inactivo).

Fonte: Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

O uso do twitter para divulgar a ciência?

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«Academics are now able to network and receive feedback from fellow researchers and the public online, which builds friendships and presents professional opportunities. Scientists online can converse with fellow writers, scientists, artists, researchers, and teachers from all over the world, a pool of contacts far larger than any university faculty. A Twitter follower audience is able to provide near-instant opinions and references, can be used to crowdsource data, and spread awareness or knowledge about a certain issue or topic one feels passionately about-which can result in an overwhelming response of support».

«By bringing science to the public in digestible 140 character messages in a neutral environment such as the Internet, people are able to access science without taking any risks or making an extensive effort to involve oneself».

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A propósito de Olho Nu, versão de 2009

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ney matogrosso 

O camaleão

Foi a apresentação do documentário «Olho Nu», realizado por Joel Pizzini, um work in progress ainda por finalizar, que fez emergir um vulcão, no último dia do Festival de Cinema Luso-Brasileiro (em 2009). Até ele estava mais solto, depois de dias a desviar o olhar e a esconder as mãos nos bolsos, enterrado no mesmo gorro, amigo protector dos dias frios de Dezembro, em Santa Maria da Feira. O filme-canção resulta de um projecto de um documentário para a televisão a partir do arquivo pessoal com documentos e gravações guardados pelo cantor ao longo de quatro décadas.

Em «Olho Nu» vemos imagens da preparação do espectáculo «Inclassificáveis», uma digressão que o trouxe a Portugal, em 2008. Pizzini procurou dar voz à «linguagem musico-corporal», até porque em palco «ele cresce de tamanho, torna-se imenso». Isto apesar de na tela ouvirmos a mãe a dizer como ele era pequenininho «1,5 kg e tinha 50 centímetros», nascido com oito meses de gestação. Seria urgência em existir? Vemos o dueto com Chico Buarque, recorda-se a amizade com Caetano Veloso num dia na praia. Apesar da fama de libertário, até é certinho. Pizzini acha mesmo que ele apenas deu uma entrevista na vida. Tudo o resto é repetição. Neste filme documentário Matogrosso lembra o pai, chocado e assustado, quando o viu pela primeira vez na televisão. «Ficou ele e todos os pais do país», brinca o cantor. E ficamos a saber que aos 21 anos era um rapaz ingénuo que acordou para o mundo quando trabalhou no hospital militar de Brasília. Aí entrou em contacto com a morte e se tornou «humano». Na figura ousada, há um tabu: não fala dos amores. Resguarda-se.

O ritual

Ao longo da exibição do filme há um vaivém de quadris. As frases do próprio Ney Matogrosso revelam os medos e inseguranças. Nada faz de improviso. «Tudo é ensaio», confirma. Na verdade, em «Olho Nu» vemos repetidamente a metamorfose. O homem de calças de ganga, t-shirt e sapatilhas passa a imperador Inca e exibe o corpo esguio, num fato transparente tatuado com motivos dos índios Xingu. Há a pose de provocador e o olhar penetrante para o público. Esvoaçam penas, plumas e brilham lantejoulas. Parece avestruz, leão, sereia. Há uma sucessão de rituais: várias vezes o vemos a pintar os olhos de negro, aqueles que um dia alguém apelidou de «atormentados», para depois o vermos com o mesmo gesto na hora de limpar, um regresso à normalidade. «Sou atormentado?», pergunta. «Não, sou esquizofrénico». Até porque o animal de palco é uma invenção. Mas quando se olha ao espelho «é outra pessoa», ou melhor «reflecte várias», uma «manifestação artística» que no «fim do espectáculo acabou». Em que é que ficamos?

«Adoro ser subversivo em todos os momentos e governos. Eu só sei ser subversivo» e não tem ilusões com governantes ou nunca sentiu nenhuma atracção pelo poder.

Com fama de descarado atira: «não tenho corpo bonito. Mas uso como se fosse». Não gosta do exibicionismo na rua. A intimidade deve ficar circunscrita aos lugares certos. Na tela vemos os pés. Há pedaços de corpo, o artista em apoteose em cima do palco e as mãos elevam-no ao céu. Não se deixa cegar pelos holofotes. Ao vivo e a cores, o olhar desce. Na tela, mais uma pose. Desce do palco. Circula descalço junto de uma plateia em êxtase. Ali ao meu lado, tem o olhar concentrado, nem pestenaja, e as mãos enlaçadas. Volto ao ecrã e ouve-se mais uma recordação: como «falava fininho», durante muito tempo pensou que «era defeito». Em relação à Sida, teve sorte. E não se espantaria que descobrissem realmente que foi uma invenção de laboratório. «O ser humano é capaz de tudo». Mais de metade dos amigos foram embora. «Eu fiquei».

No fundo, quer ser normal. Por isso estranha quando o interpelam e lhe perguntam como é que toma banho no final de um espectáculo. «Nu. Simplesmente». E como é que queriam que fosse?

 Andreia Fernandes Silva. dez 2009

PS:. A 8 de Dezembro, Olho Nu, versão final encerra o festival Luso Brasileiro de 2013.

 

Uma leitura em… «F»?

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eyetracking
Eyetracking

A informação não é de agora mas em F-Shaped Pattern For Reading Web Content, encontram uma das explicações para o modo como lemos as páginas na internet. 

Porque sabemos que nem todos leem tudo, importa saber os locais onde a maioria dos olhares se concentram. A investigação referida neste artigo destaca que a maioria lê em F, concentrando a atenção em duas faixas de texto horizontais e uma vertical, alguns leem em E e outros em L. Portanto, antes de escrever para um site, blogue ou e-letter pense no modo como as pessoas vão ver a informação.

 

F for fast . That’s how users read your precious content. In a few seconds, their eyes move at amazing speeds across your websites words in a pattern that’s very different from what you learned in school.

In our new eyetracking study , we recorded how 232 users looked at thousands of Web pages. We found that users’ main reading behavior was fairly consistent across many different sites and tasks. This dominant reading pattern looks somewhat like an F and has the following three components:

  • Users first read in a horizontal movement , usually across the upper part of the content area. This initial element forms the F’s top bar.
  • Next, users move down the page a bit and then read across in a second horizontal movement that typically covers a shorter area than the previous movement. This additional element forms the F’s lower bar.
  • Finally, users scan the content’s left side in a vertical movement . Sometimes this is a fairly slow and systematic scan that appears as a solid stripe on an eyetracking heatmap. Other times users move faster, creating a spottier heatmap. This last element forms the F’s stem.

(…) Sometimes users will read across a third part of the content, making the pattern look more like an E than an F. Other times they’ll only read across once, making the pattern look like an inverted L (with the crossbar at the top). Generally, however, reading patterns roughly resemble an F, though the distance between the top and lower bar varies.