Inspirações

Para que servem as mãos?

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A Companhia de Teatro de Marionetas Mandrágora envolveu-se numa campanha de alerta à violência. Ver o vídeo Para que servem as mãos?

Um projeto que visa identificar a violência entre crianças e as suas consequências, e também consciencializar a comunidade para a importância da prevenção dos maus tratos na infância. O projeto procura estimular e favorecer nas crianças a expressão de uma visão crítica do mundo. 

RESUMO HISTÓRICO

Para que Servem as Mãos” foi realizado 27 vezes em 23 locais distintos para um público de 1665. Na sua digressão, participou em 2 festivais e encontros.
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Cultura, economia e o desempenho das organizações

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Mahmood Reza, em The scorecard and the prism, recomenda dois modelos de gestão da performance particularmente relevantes para as organizações do sector da cultura e das artes: balanced scorecard e the performance prism [Mais informação sobre este modelo AQUI]. Deste modo, Reza recorda que:

«balanced scorecard was developed by Kaplan and Norton as an attempt to counter a rather narrow-minded approach to performance management that relied too heavily on financial measures. Its approach relies on the organisation defining key dimensions of performance for which discreet yet linked measures can be reported. The four categories or ‘perspectives’ are:

  • Customers: Identifying who the target customers are and what is the value proposition in serving them. Example measures could include returning customers, average spend per customer and customer satisfaction surveys.
  • Internal processes: These are the key processes which we must excel at to continue to add value for customers so that we can provide what they want and need. Example measures could include the number of projects completed on time and number of projects completed within budget.
  • Innovation and learning (or learning and growth): There is normally a gap between the current infrastructure of employee skills, information systems and organisational culture and the level necessary to achieve the desired results. The measures such as employee satisfaction, training, internal rewards and recognition should help close the gap. Example measures would include staff retention, staff absenteeism and the number of new shows.
  • Financial: The measures tell us whether our strategy execution and implementation, detailed through measures in the other perspectives, leads to improved bottom-line results. Typical measures would include cashflows, growth in earned income and cost efficiencies.

These measures represent a communication tool to employees and external stakeholders, and are the outcomes and performance drivers by which the organisation should achieve its mission and strategic objectives. A framework for the four perspectives helps describe the key elements of strategy and the framework is made up of objectives, measures, targets and initiatives.

Já no que concerne ao modelo que aposta no desempenho importa considerar todos os elementos da organização no que diz respeito à satisfação, contributo, estratégia, processos e capacidades.

The performance prism was devised by Cranfield University and is a model that considers all organisational stakeholders, without necessarily focusing on one single group. The organisation considers what its stakeholders need and want from the organisation, and consequently what the organisation needs and wants from its stakeholders. This stakeholder-driven model is a good fit for arts organisations.

There are five facets to the performance prism:

  • stakeholder satisfaction
  • stakeholder contribution
  • strategies
  • processes
  • capabilities.

The performance prism is distinct from other models in a number of ways. First, it is stakeholder-driven and not strategy-driven. Second, the concept of stakeholders is more inclusive and does not just consider shareholders. Third, customer success is seen as based on ‘successful’ partnerships and inter-relationships between the organisation and stakeholders. And fourth, measures can be generated and used for all levels within an organisation

When designing the prism, the five facets prompt specific questions (and answers):

  • Stakeholder satisfaction: Who are the key stakeholders and what do they want and need?
  • Strategies: What strategies do we need to put in place to satisfy the wants and needs of the key stakeholders?
  • Processes: What critical processes do we need to put in place to enable us to execute our strategies?
  • Capabilities: What capabilities do we need to put in place to allow us to operate, maintain and enhance our processes?
  • Stakeholder contribution: What contributions do we want and need from our stakeholders if we are to maintain and develop these capabilities?

These two models have aspects in common such as using a broad range of financial and non-financial key performance indicators, linking measures to objectives and what is important to an organisation, not just focusing on the financial measures. My preferred choice is the performance prism because it is stakeholder-driven and reflects the range and diversity of stakeholders that arts organisations work with. The important thing to remember is that an arts organisation needs to be able to answer the question of how it is doing objectively, and then manage what it measures.

O seu a seu dono. Esta informação foi partilhada pelo blogue gestão cultural.

Porque importa insistir na literacia mediática?

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media+literacy+wordle

Diariamente somos bombardeados por informação, muitas vezes por verdadeiro lixo tóxico que em nada contribuiu para o nosso conhecimento. E isso ocupa espaço e rouba-nos o tempo que deveria estar a ser usado em situações mais úteis. Tudo isto vem a propósito do artigo, escrito pela jornalista freelance Lindsay Beyerstein, no Columbia Journalism Review, intitulado Can news literacy grow up?

E a jornalista começa por contar o choque de Howard Schneider quando preparava um programa de um curso de jornalismo por verificar que a maioria dos alunos de jornalismo não fazia qualquer distinção do tipo de informação que lia ou ouvia em todo o lado e resistiam à leitura de informação que colocasse em confronto perspetivas diferentes. Preferiam, claro está, a papinha toda feita.

Quase uma década depois, o cenário tornou-se bem mais catastrófico do ponto de vista do volume de conteúdos produzido e disseminado pelas redes sociais. A dificuldade em selecionar e filtrar a informação, mas acima de tudo, em a saber usar de modo crítico, são lacunas difíceis de contornar quando se instalam rotinas de usar logo a primeira informação que aparece pela frente.

Foi por isso que em 2005, Schneider  se convenceu que « a modern journalism school could no longer teach only journalism; it needed to reinvent itself as the purveyor of a core competency for the entire student body: the ability to be savvy and critical consumers of news and information». A rapidez com que tudo se processa nos meios de comunicação fazem com que Lindsay afirme: Meanwhile, the need for news literacy has only grown.

No artigo destaque-se ainda os seguintes parágrafos:

«Where the movement once worried about blogs, left-right bias, and how to decode the front page of a newspaper, it now confronts a booming content-marketing business that is cranking out native advertising, all manner of “sponsored content,” and glossy magazines and slick docu-ads produced by corporations that look and sound a lot like journalism».

«“Contributor networks,” in which “experts” and others self-publish for little or no money and without even a cursory edit, are sprouting like barnacles on the hulls of legacy news brands. Hoaxes and plagiarism are disturbingly common, factchecking has been turned over to the digital mob, and Facebook is considered a major news source».

Por isto e pela dificuldade que a maioria da população tem em distinguir o trigo do joio, a inclusão da educação para os media e da competência de literacia mediática é uma prioridade de todos.

Voltando ao artigo: News literacy’s mission—to help give people the critical-thinking skills necessary to discern what is trustworthy in this churning informational stew—is crucial.

O grande problema continua a ser porém a verificação desta competência. Porque «In theory, critical-thinking skills are teachable, but in practice they are difficult to define and measure».

Para Pensar e/ou Rir.2

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Cartoon Dilbert – janeiro 2014 – jornal I

E sobre a comunicação nas organizações: como explicar a alguém que enviou um email idiota, escrito com os pés?

A propósito de Olho Nu, versão de 2009

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ney matogrosso 

O camaleão

Foi a apresentação do documentário «Olho Nu», realizado por Joel Pizzini, um work in progress ainda por finalizar, que fez emergir um vulcão, no último dia do Festival de Cinema Luso-Brasileiro (em 2009). Até ele estava mais solto, depois de dias a desviar o olhar e a esconder as mãos nos bolsos, enterrado no mesmo gorro, amigo protector dos dias frios de Dezembro, em Santa Maria da Feira. O filme-canção resulta de um projecto de um documentário para a televisão a partir do arquivo pessoal com documentos e gravações guardados pelo cantor ao longo de quatro décadas.

Em «Olho Nu» vemos imagens da preparação do espectáculo «Inclassificáveis», uma digressão que o trouxe a Portugal, em 2008. Pizzini procurou dar voz à «linguagem musico-corporal», até porque em palco «ele cresce de tamanho, torna-se imenso». Isto apesar de na tela ouvirmos a mãe a dizer como ele era pequenininho «1,5 kg e tinha 50 centímetros», nascido com oito meses de gestação. Seria urgência em existir? Vemos o dueto com Chico Buarque, recorda-se a amizade com Caetano Veloso num dia na praia. Apesar da fama de libertário, até é certinho. Pizzini acha mesmo que ele apenas deu uma entrevista na vida. Tudo o resto é repetição. Neste filme documentário Matogrosso lembra o pai, chocado e assustado, quando o viu pela primeira vez na televisão. «Ficou ele e todos os pais do país», brinca o cantor. E ficamos a saber que aos 21 anos era um rapaz ingénuo que acordou para o mundo quando trabalhou no hospital militar de Brasília. Aí entrou em contacto com a morte e se tornou «humano». Na figura ousada, há um tabu: não fala dos amores. Resguarda-se.

O ritual

Ao longo da exibição do filme há um vaivém de quadris. As frases do próprio Ney Matogrosso revelam os medos e inseguranças. Nada faz de improviso. «Tudo é ensaio», confirma. Na verdade, em «Olho Nu» vemos repetidamente a metamorfose. O homem de calças de ganga, t-shirt e sapatilhas passa a imperador Inca e exibe o corpo esguio, num fato transparente tatuado com motivos dos índios Xingu. Há a pose de provocador e o olhar penetrante para o público. Esvoaçam penas, plumas e brilham lantejoulas. Parece avestruz, leão, sereia. Há uma sucessão de rituais: várias vezes o vemos a pintar os olhos de negro, aqueles que um dia alguém apelidou de «atormentados», para depois o vermos com o mesmo gesto na hora de limpar, um regresso à normalidade. «Sou atormentado?», pergunta. «Não, sou esquizofrénico». Até porque o animal de palco é uma invenção. Mas quando se olha ao espelho «é outra pessoa», ou melhor «reflecte várias», uma «manifestação artística» que no «fim do espectáculo acabou». Em que é que ficamos?

«Adoro ser subversivo em todos os momentos e governos. Eu só sei ser subversivo» e não tem ilusões com governantes ou nunca sentiu nenhuma atracção pelo poder.

Com fama de descarado atira: «não tenho corpo bonito. Mas uso como se fosse». Não gosta do exibicionismo na rua. A intimidade deve ficar circunscrita aos lugares certos. Na tela vemos os pés. Há pedaços de corpo, o artista em apoteose em cima do palco e as mãos elevam-no ao céu. Não se deixa cegar pelos holofotes. Ao vivo e a cores, o olhar desce. Na tela, mais uma pose. Desce do palco. Circula descalço junto de uma plateia em êxtase. Ali ao meu lado, tem o olhar concentrado, nem pestenaja, e as mãos enlaçadas. Volto ao ecrã e ouve-se mais uma recordação: como «falava fininho», durante muito tempo pensou que «era defeito». Em relação à Sida, teve sorte. E não se espantaria que descobrissem realmente que foi uma invenção de laboratório. «O ser humano é capaz de tudo». Mais de metade dos amigos foram embora. «Eu fiquei».

No fundo, quer ser normal. Por isso estranha quando o interpelam e lhe perguntam como é que toma banho no final de um espectáculo. «Nu. Simplesmente». E como é que queriam que fosse?

 Andreia Fernandes Silva. dez 2009

PS:. A 8 de Dezembro, Olho Nu, versão final encerra o festival Luso Brasileiro de 2013.

 

Como destacar um CV?

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Numa altura em que as oportunidades de emprego escasseiam e há uma saturação de envio de CV, a criatividade na hora de surpreender o gatekeeper que filtra as candidaturas é essencial para que um projeto de vida não vá parar ao caixote do lixo. Mais do que nunca é urgente ser original e oportuno e, ao mesmo tempo, ter capacidade para surpreender. Hugo Sousa destaca em Os Curriculum Vitae, Apresentações e Porta-fólios mais criativos algumas propostas: umas doces, como o chocolate da Charlotte Olsen, outras mais infográficas, em panfleto, em cartão de visita dinâmico ou até em sliderocket. Lembrando a célebre frase de Marshall McLuhan, afinal o meio sempre pode ser a mensagem.

CV em formato editorial
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