Porque amanhã é 25 de abril…

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Há uns anos nesta mesma semana de abril um professor de uma escola secundária sugeriu que eu fosse censurada.Que não podia escrever o que queria. O texto apenas descrevia uma peça de teatro sobre o amor e ele não gostou que tivesse escrito que o público-alvo daquela peça não gostou da mesma. Eram crianças de tenra idade a ouvir coisas de adolescentes e não estavam muito entusiasmados com a coisa, tecendo frases deliciosas sobre o assunto. Mais do que pensar se a peça era para aquele público-alvo fez uma carta eriçada a desancar-me sem pensar que, na verdade, estava a fazer um convite à censura. Não usei palavras inapropriadas, não reescrevi frases de um qualquer comunicado. Sentei-me a assistir a uma peça de teatro ao lado dos espectadores e escrevi sobre o assunto.Para mim a notícia estava ali, sentada ao meu lado nos olhos curiosos e comentários dos recetores, o público-alvo. Eram crianças pequeninas que não estavam preparadas para ver aquilo, que não sabiam o que significavam as palavras, quem eram as personagens e limitei-me a referir isso. Na altura, na semana de abril levou, em tinta de papel, uma resposta a recordar a data, a liberdade de imprensa, o direito à informação. Ao longo dos anos sopraram outras censuras. Pressões e situações mais graves. Tentativas de manipulação encapotadas. Recordo esta situação pelo ridículo do assunto e pela época. Na altura deu-me mesmo jeito na resposta lembrar abril, o que teimam em tentar apagar. Na verdade, os tempos foram piorando e esta semana ficamos até a saber que os partidos do «arco do poder» querem impor limites à cobertura mediática das eleições. Efetivamente era mesmo uma pena sermos poupados ao «panis et circenses» que são as campanhas eleitorais, não era? Eu até ia mais longe e sugeria que fosse tudo feito e preparado antes. Facilitava a vida aos jornalistas, não havia despesas para as administrações e ficávamos todos mais descansadinhos na nossa vidinha a assobiar para o lado…  E, porque não irem ali à Viarco comprar uns lápis azuis e rabiscava-se o que não interessa: aos partidos, aos políticos, aos amigos dos políticos?

Bem… voltando ao que interessa. O jornalismo é importante porque deve informar, fazer pensar, alertar e colocar em causa situações que muitos preferem esconder. Constrangimentos, esses, sempre existiram. Uns mais insidiosos, descarados, outros menos. Gostaria de pensar que estas ideias apenas surgem para nos lembrar a importância de uma imprensa livre. Ou será que já nem isso faz?

Pelo menos no estrangeiro já começaram a chamar as coisas pelos nomes: El Pais.

«Portugal celebra los 40 años de libertad de expresión, pero parece que no cumplirá los 41 años. Con nocturnidad y alevosía, con una celeridad desconocida en este país, los tres partidos mayoritarios, los gobernantes PSD y CDS, y el principal partido de la oposición, el Partido Socialista, se han puesto de acuerdo para un proyecto de ley que pretende establecer el control previo de los medios de comunicación en la próxima campaña electoral».

E, num artigo de opinião sobre o assunto Felisbela Lopes escreveu:

«Imersas numa inegável crise económica, as redações dos média confrontam-se com a diminuição de meios e a redução de equipas. Hoje é difícil ir até ao fim da rua ou até ao fim do Mundo à procura de uma boa estória. Relata-se o que acontece a partir da fábrica das notícias».

Porque amanhã é 25 de abril que se fale e aja sobre o assunto, tá?

Uma opinião sobre “Porque amanhã é 25 de abril…

    João Ferreira disse:
    Abril 24, 2015 às 15:17

    Reblogged this on João Ferreira.

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