Carta a um estudante de comunicação

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comunicação

Jovem, lamento informar mas vais ter uma vida profissional difícil.E quanto mais cedo encarares a realidade, melhor.

É com esta frase que Diogo Madeira da Silva inicia uma carta a um estudante de comunicação, publicada na Revista Meios & Publicidade que tem todo o interesse em ler com atenção, até porque ver escrito acentua a necessidade de se pensar bem primeiro na opção, ao mesmo tempo que serve de alerta para a urgência de uma competência: a literacia mediática.

Vais perceber que há diferenças entre as relações públicas das festas ou discotecas e a Comunicação Empresarial. Que Comunicação e Marketing são coisas diferentes, ainda que várias empresas chamem Marketing a Departamentos que apenas fazem Comunicação (ou nem isso). Vais perceber que nem todos os trabalhos passam por fazer campanhas inspiradoras ou gerir patrocínios a eventos de alto perfil e que nem todas as empresas são a EDP, a Vodafone ou a Red Bull.

A tua carreira pode seguir vários rumos, mas o princípio será duro. Até pode ser fácil arranjar um primeiro estágio, com sorte remunerado. Se estiveres apto para um estágio do IEFP será mais fácil ainda (tal como se tiveres amigos ou família que ajudem a desbloquear contactos). Podem-se seguir outros estágios, até, com sorte, começares a saltar de contrato em contrato. Vais perceber que há empresas que alimentam as áreas de Comunicação à base de estagiários. Vão-te pedir, exigir até, que sejas um super-homem. Que escrevas bem, sejas criativo, domines várias línguas para fazer traduções, sejas bom a gerir clientes, tenhas conhecimentos de design, web design, redes sociais, bases de dados, HTML, CSS, PHP, SEO, e por aí fora… Que sejas quatro funções numa só, uma espécie de tudo-em-um-pelo-preço-de-meio.

Gosto particularmente de:

Podes chegar a pensar que se vendesses electrodomésticos num centro comercial ganhavas o mesmo, sem metade do stress. 

Vais também reparar que há muita gente convencida que percebe muito do teu trabalho, mesmo que a sua função não tenha nada a ver com o tema. Também pode acontecer que desvalorizem o que fazes porque, no seu entender, não decides nada de importante para o negócio.

Entre as tuas armas estará a tua capacidade de juntar a competência técnica ao conhecimento do sector da tua empresa ou dos teus clientes. Consumirás informação diariamente – e se não gostas de o fazer muda de área, já – porque a cultura e o conhecimento não se disfarçam com jogo de cintura ou jeito para falar.

(…)

Não estou a dizer que não é uma área interessante. Mas o ajuste das expectativas à realidade é o primeiro passo para ter sucesso no mundo do trabalho. No entanto e como disse Daniel Webster: “se me tirassem tudo excepto uma coisa, escolheria manter o poder de comunicar, porque com ele cedo recuperaria tudo o resto”.

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