Investigação de jornalista revela as fraudes em redor das publicações científicas

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A pressão pela publicação de artigos científicos e a falta de ética de alguns dos intervenientes tem levado a que muitas situações irregulares comecem e revelar o lado perverso da medição da produtividade científica. A ânsia pela publicação tem levado a que muitos investigadores sejam levados a enviar artigos para publicações pouco sérias apenas interessadas em tirar dividendos económicos. O jornal Público divulga, na edição de hoje o artigo «Falso artigo científico aceite para publicação…», a cilada que um jornalista montou para desmascarar a fiabilidade dos processos de admissão de artigos científicos.

Um assunto a merecer especial atenção, mas que deveria obrigar as entidades avaliadoras a serem mais concientes naquilo que actualmente pedem às instituições de ensino e aos investigadores. 

A operação foi meticulosamente planeada e a sua execução durou um ano. Os resultados, revelados esta sexta-feira pela revista Science, falam por si: em troca de pagamento por parte dos autores, dezenas de revistas científicas de acesso livre mostraram-se dispostas a publicar um artigo com falhas metodológicas graves e óbvias, cujo autor concluia, saltando directamente do tubo de ensaio para a clínica, ter descoberto um promissor novo medicamento contra o cancro.

O autor da cilada, John Bohannon, jornalista de ciência da Universidade de Harvard (EUA), enviou a sua “descoberta”, assinada por um cientista fictício que trabalhava numa universidade fictícia, para os editores de 304 revistasonline de acesso livre especializadas em investigação médica e áreas afins. Dessas, 98 recusaram o artigo – mas 157 aceitaram-no.

“Os resultados desta golpada revelam os contornos de um Oeste selvagem emergente nas publicações académicas”, salienta Bohannon. Embora perto de um terço das revistas “apanhadas” por esta operação secreta tenha sede na Índia (64 aceitações e 15 rejeições), os EUA vêm logo a seguir no palmarés, com 29 aceitações e 26 recusas.

Recorde-se que, ao contrário das revistas com assinaturas pagas (como aScience ou a Nature), as revistas de acesso livre (a mais conhecida das quais é a PLoS ONE) são financiadas através do pagamento de uma dada quantia pelo cientistas cujos artigos são aceites para publicação.

 

 

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